Setembro.2025

Cultura Organizacional, Liderança e Sustentabilidade
Bom dia! E para quem está passando por uma crise ao perceber que já se foram por volta de 270 dias deste ano e que a próxima estação já chegou, saiba que o tempo continua, e a vida segue em movimento.
Nesta edição a Geração Z impera, em uma reflexão sobre como ela está transformando o mundo do trabalho…e dos negócios.
Vamos lá! Em 3, 2,1…
SUSTENTABILIDADE & ESG
Mundo: Como a Geração Z Muda os Hábitos de Consumo e Impacta a Sustentabilidade

Foto de Boxed Water Is Better na Unsplash
Na China, a Geração Z representa pouco mais de 15% da população, mas já redefine os conceitos de consumo.
Seus hábitos vão além do status ao priorizar bem-estar, autenticidade e propósito, e tratam os gastos como um investimento em felicidade e saúde mental.
Essa geração valoriza marcas que incorporam identidade cultural e consciência ambiental. É por isso que preferem investir em experiências e colecionáveis, com apelo emocional e produtos sustentáveis.
Além disso, 89% da Gen Z afirma ter mudado decisões de compra nos últimos seis meses devido a preocupações com sustentabilidade. E mais: segundo a Roland Berger, 62% preferem marcas sustentáveis e 73% estão dispostos a pagar mais por elas.
Contudo, a relação entre intenção e comportamento ainda é marcada por contradições. Embora 58% da Gen Z diga comprar produtos sustentáveis e mais de 60% afirme pagar mais por marcas ecológicas, o consumo em plataformas como Shein e Temu (os símbolos da fast fashion), permanece alto.
Esse paradoxo, conhecido como attitude–behavior gap, reforça a importância de as marcas serem genuinamente transparentes e consistentes com seus valores.
Outra nuance relevante é a segmentação comportamental da moda sustentável na China. Segundo a Vogue Business, 27% são sustainable doers (engajados e ativos), 28% sustainable shoppers (compradores conscientes), 33% bystanders (informados mas passivos) e 12% insulators (desinteressados). Isso mostra que a conscientização não se traduz automaticamente em ação.
Essa mudança afeta o mundo todo. Como a China é um dos maiores mercados consumidores do planeta, os valores da Gen Z chinesa funcionam como um termômetro global.
Multinacionais de tecnologia, moda, beleza e entretenimento precisam se adaptar a esse novo padrão de consumo, que privilegia propósito, autenticidade e responsabilidade. O que começa em Pequim ou Xangai, influencia tendências em Nova York, São Paulo ou Paris.
LIDERANÇA
Geração Z: Porque os Negócios (e os Líderes) Precisam se Adaptar

Foto de Toa Heftiba na Unsplash
Os nascidos no final da década de 1990 e no início da década de 2010, os Gen Zers, como são chamados, têm suas próprias características. E entendê-los é essencial para integrá-los de forma produtiva ao mercado de trabalho.
No pessoal
Você já percebeu que a Gen Z cresceu em um mundo marcado por crises? Presenciaram de perto a crise financeira de 2008, instabilidades políticas em várias partes do mundo e a aceleração tecnológica trazida pelos smartphones e redes sociais. Vivenciaram ainda eventos marcantes como a pandemia da Covid-19, que redefiniu a noção de trabalho, estudo e conexões pessoais.
👉Isso os moldou a serem uma geração:
✓ Realista e cética em relação a promessas de longo prazo;
✓ Altamente conectada, que valoriza redes sociais e comunidades digitais como espaço de identidade e pertencimento;
✓ Focada em autenticidade, que busca relações significativas, pessoais e profissionais;
✓ Preocupada com bem-estar e equilíbrio entre a vida pessoal e trabalho.
No mercado de trabalho
Essas características se refletem diretamente em como eles encaram suas carreiras.
Para eles, flexibilidade é conexão. O trabalho remoto ou híbrido não os afasta das responsabilidades, mas os aproxima. Muitos acreditam que a flexibilidade fortalece o vínculo com colegas e líderes.
A Geração Z não se apega a empresas pela estabilidade. A lealdade é conquistada, não presumida. Ou seja, querem sentir-se apoiados, valorizados e integrados.
Quando encontram bons líderes, dedicam-se com intensidade. A liderança importa! E eles buscam líderes que demonstrem cuidado genuíno, ofereçam clareza de expectativas e estejam abertos ao diálogo.
Outro fator essencial: a reputação ambiental da empresa influencia diretamente suas escolhas profissionais. Segundo a Deloitte e a ESG Today, 65% da Gen Z valorizam as decisões ambientais ao escolher um empregador e 70% consideram as credenciais ambientais um fator importante.
Além disso, a Gen Z reconhece o valor de outras gerações. Sabe que a diversidade geracional é um ativo e também espera que sua voz seja ouvida e considerada.
Nos hábitos de consumo
✓ Luxo como experiência, não como ostentação: preferem vivências únicas (viagens, eventos, colabs) ao acúmulo de bens;
✓ Sustentabilidade como novo símbolo de status: pagam mais caro por marcas éticas e ecológicas;
✓ Identidade cultural: valorizam marcas que refletem orgulho nacional e autenticidade cultural;
✓ Menor apego ao patrimônio: imóveis, carros e relógios perdem relevância; bem-estar e propósito ganham espaço;
✓ Luxo digital em ascensão: investem em bens virtuais (skins, NFTs, metaverso) como símbolos de pertencimento;
✓ Autenticidade e propósito como critérios centrais: preferem marcas alinhadas com seus valores pessoais;
✓ Hábitos de consumo mais saudáveis: priorizam bem-estar físico e mental, alimentação consciente, autocuidado e wellness travel. Nas festas, preferem experiências equilibradas com o consumo de álcool reduzido em comparação às gerações anteriores.
E isso se traduz em uma gestão estratégica, resiliente e preparada para o futuro.
Na corrida por crescimento sustentável e resultados consistentes, ESG é o motor. E quanto antes essa mentalidade for incorporada, mais rápido o impacto positivo chega ao EBITDA.
O que isso significa para as empresas?
Organizações que desejam prosperar precisam considerar a Geração Z em sua estratégia de cultura organizacional. Em algum momento, terão que contar com ela.
A transformação para ambientes onde confiança, clareza e conexão sejam prioridade já está em curso. Mais do que benefícios tradicionais, eles querem fazer parte de algo que seja significativo e sustentável. Marcas que conseguirem alinhar propósito interno com propósito externo estarão à frente em termos de vantagem competitiva.
GAMES
Vamos Brincar de “Atrai x Repele”?
Com base no que sabe sobre cultura organizacional e gerações, quais dessas gigantes da Forbes 500 você acha que conquistam a Geração Z (e quais afastam)?
✓ Accenture
✓ Oracle
✓ Amazon
✓ Canva
✓ IBM
✓ TikTok
✓ Google
✓ WarnerMedia
✓ Pepsi
(Respostas abaixo)
Quem Atrai e quem Repele?
🤩Accenture → Atrai: flexibilidade, diversidade e propósito claros.
❌Oracle → Repele: perfil corporativo mais conservador.
🤩Amazon → Atrai: inovação e oportunidades de crescimento, apesar do ritmo intenso.
🤩Canva → Atrai: cultura jovem, criativa e colaborativa.
❌IBM → Repele: imagem mais tradicional e processos estruturados.
🤩TikTok → Atrai: conectada à cultura digital da Gen Z.
🤩Google → Atrai: benefícios, inovação e reputação aspiracional.
❌WarnerMedia → Repele: cultura corporativa mais madura e hierárquica.
❌Pepsi → Repele: percepção de campanhas que nem sempre dialogam com autenticidade.
HOLOFOTE
Mais que Cosméticos
A e.l.f. Beauty, marca americana de cosméticos e maquiagens, tem se destacado cada vez mais entre a Geração Z, tanto como referência de consumo quanto como destino profissional.
Hoje, 75% de sua equipe é formada por jovens entre 20 e 30 anos. A empresa adota um modelo de gestão que os coloca no centro da inovação, transformando suas ideias em campanhas e produtos de grande impacto.
A e.l.f., que oferece cosméticos acessíveis, veganos e cruelty-free, cultiva um ambiente de trabalho guiado por propósito, autenticidade e transparência.
O resultado é uma cultura organizacional que atrai e retém talentos mais jovens. Isso prova que alinhar valores de marca e valores de equipe é essencial para alcançar uma performance sustentável. E longeva.

Escrito por Giovana Bratti e Vitória Nunes
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*Fontes: Deloitte/ ESG Today,Forbes 500, Daxue Consulting, Retail Boss, Roland Berger / Courageous Studios, New York Post, Vogue Business, finance.yahoo, the wall street journal.